Tendências tecnológicas que vão redefinir a próxima era digital

Última actualización: janeiro 17, 2026
  • A maturidade da inteligência artificial e da IA agêntica exige redes, cloud e segurança desenhadas de raiz para cargas intensivas.
  • Soberania digital, clouds e IA soberanas ganham peso com novas regras europeias e preocupação com localização e governação de dados.
  • Mercado de trabalho e segurança física convergem com a tecnologia, impulsionando talento aumentado, edge computing e ecossistemas integrados.
  • Cibersegurança preditiva, computação quântica, FinOps e sustentabilidade tornam-se pilares estratégicos da competitividade empresarial.

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O cenário tecnológico global caminha para um ponto de viragem em 2026, com a inteligência artificial a amadurecer, a soberania digital a ganhar peso político e empresarial, e a cibersegurança a tornar-se uma verdadeira corrida armamentista algorítmica. Tudo isto acontece num contexto de incerteza geopolítica, inflação de requisitos regulatórios e pressão brutal por eficiência, o que obriga CIO, RH e liderança de negócio a tomarem decisões muito mais estratégicas sobre onde investir e como transformar as organizações.

Portugal e a Europa não estão à margem deste movimento: desde as infraestruturas de telecomunicações e cloud soberana, até à segurança física em rede, cidades inteligentes, computação quântica, gestão de talento e sustentabilidade, multiplicam‑se projetos estruturantes que vão moldar a forma como trabalhamos, produzimos, nos deslocamos e protegemos pessoas e dados. O resultado é um ecossistema em que IA, cloud híbrida, edge computing e modelos “as‑a‑service” deixam de ser buzzwords e passam a ser decisões diárias de arquitetura, orçamento e governação.

Tendências centrais para os CIO: da IA à infraestrutura digital inteligente

Para empresas como a Colt Technology Services, 2026 será o ano em que a IA deixa de ser apenas experimentação cara e passa a gerar valor mensurável em escala, impulsionada pelas tendências de IA. Muitos grandes grupos continuam a aplicar somas significativas em IA – com casos de empresas a investir perto de 750 mil dólares por ano – mas estudos como os do MIT mostram que cerca de 95% ainda não veem retorno financeiro direto desses projetos. A expectativa é que, à medida que os pilotos dão lugar a implementações concretas e integradas nos processos, esta distância entre investimento e valor criado finalmente comece a encurtar.

Um dos motores desta viragem é a expansão da inferência de IA – ou seja, o momento em que os modelos, já treinados, geram respostas, previsões e recomendações com base em dados operacionais em tempo real. Grandes consultoras projetam que, até 2030, a inferência representará a maior fatia das cargas de trabalho de IA, e 2026 aparece como um ponto de aceleração: modelos mais leves, embebidos em aplicações de negócio, alimentando dashboards, automatizando decisões de baixa complexidade e suportando fluxos críticos em áreas como operações, finanças ou atendimento.

Associada a esta evolução surge a Agentic AI, ou IA agêntica, em que múltiplos agentes de IA cooperam para planear, raciocinar e executar cadeias inteiras de tarefas com mínima intervenção humana. Distribuidores tecnológicos como a TD Synnex veem aqui a grande mudança de paradigma: o canal passa da fase das provas de conceito para uma transformação operacional em que agentes inteligentes orquestram fluxos de trabalho, integram sistemas empresariais e abrem caminho a modelos de “CISO virtual” e de automação de processos de negócio ponta a ponta.

Todo esse salto em IA está a pressionar duramente as redes e os data centers. Muitos CIO estão a redesenhar as suas WANs para satisfazer requisitos de latência, largura de banda e segurança específicos de cargas de trabalho de IA. Fala-se já em redes de longa distância otimizadas para IA, com capacidade para adaptar o encaminhamento de tráfego em tempo real e proteger dados sensíveis de treino e inferência. Projeções apontam para um crescimento expressivo do volume de tráfego de IA em cabos transatlânticos, passando de cerca de 8% da capacidade atual para perto de 30% até 2035, o que exige novas tecnologias de transmissão mais eficientes e acordos internacionais robustos, além de atenção à montagem de PCs e servidores.

Em paralelo, o modelo Network as a Service (NaaS) entra numa nova fase. De acordo com inquéritos a centenas de CIO, perto de 60% já estão a ampliar o recurso a NaaS para responder às exigências da IA. A Colt fala num “NaaS 2.0”: uma camada de rede mais inteligente, automatizada, orientada para resultados de negócio em tempo real, que não se limita a transportar tráfego, mas ajusta políticas automaticamente consoante prioridades aplicacionais, consumo energético e requisitos de compliance.

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Outra preocupação que começa a ocupar orçamento de forma visível é a segurança quântica. A aproximação do chamado “Q Day” – o momento em que computadores quânticos consigam quebrar métodos clássicos de encriptação usados hoje em larga escala – leva analistas como a Forrester a projetar que, já em 2026, mais de 5% do orçamento total de TI de muitas empresas seja canalizado para tecnologias pós‑quânticas, gestão de chaves avançada e arquiteturas criptográficas resistentes a ataques quânticos.

IA soberana, cloud híbrida e edge: tecnologia com passaporte e endereço

O conceito de soberania digital e de IA soberana ganha uma centralidade inédita na Europa. T-Systems, Indra e outras grandes tecnológicas destacam que, perante tensões geopolíticas, cadeias de abastecimento frágeis e ameaças cibernéticas crescentes, a União Europeia transformou a soberania sobre dados, infraestruturas e algoritmos numa prioridade estratégica. Regulamentos como o RGPD, o Data Act, o AI Act ou o Cyber Resilience Act obrigam empresas a saber exatamente onde os dados residem, quem os processa e com que regras.

Isso está a impulsionar o desenvolvimento de clouds soberanas, que combinam a flexibilidade típica da cloud com requisitos rígidos de localização de dados, governança e jurisdição. Organizações passam a privilegiar infraestruturas geridas por fornecedores de confiança dentro de fronteiras nacionais ou europeias, assegurando que cargas críticas e informações sensíveis não ficam sujeitas a quadros legais estrangeiros. Esta lógica também se aplica à IA: grandes modelos de linguagem e serviços generativos precisam de infraestruturas de alto desempenho, muitas vezes baseadas em milhares de GPU de última geração, mas desenhadas de forma a garantir que o tratamento de dados respeita as leis europeias de proteção e soberania.

Iniciativas como uma Industrial AI Cloud europeia, impulsionada por operadores como a Deutsche Telekom em parceria com fabricantes de hardware de ponta, exemplificam esse esforço. A ideia é oferecer uma nuvem de IA soberana, altamente escalável, que permita às empresas industriais tirar partido de manutenção preditiva, controlo de qualidade automatizado, cidades inteligentes e serviços públicos digitais avançados sem comprometer o controlo sobre os dados e os modelos.

Em Portugal, esta visão reflete‑se na forte adoção de cloud híbrida e privada. A Indra realça que cerca de 42% das empresas nacionais planeiam migrar cargas críticas para clouds privadas até meados da década, num movimento que deixa de ser uma simples escolha tecnológica para se tornar uma decisão estratégica de controlo, previsibilidade e resiliência. A cloud híbrida permite combinar legados on‑premises, recursos públicos escaláveis e ambientes privados altamente controlados, equilibrando custo, performance e conformidade.

O edge computing completa esta equação de proximidade. Em setores como segurança física, indústria e mobilidade, sensores, câmaras e dispositivos de campo passam a integrar capacidades de processamento e IA diretamente na ponta da rede. Isto reduz a latência, diminui o volume de dados enviados para a cloud e possibilita respostas quase instantâneas em cenários críticos, como deteção de incidentes, manutenção em tempo real ou monitorização de infraestruturas.

Segurança física, vídeo em rede e vigilância móvel cada vez mais inteligentes

Na área da segurança física, a Axis Communications antecipa uma mudança de paradigma: o foco desloca‑se de produtos isolados para ecossistemas integrados. Em vez de comprar câmaras, sensores e software “aos pedaços”, as organizações começam por escolher um ecossistema tecnológico coeso, que assegure interoperabilidade entre dispositivos, plataformas analíticas, ferramentas de gestão remota e sistemas de TI corporativos.

Esta visão coloca as equipas de TI no centro das decisões de segurança física, já que câmaras e sensores passam a ser, na prática, nós de uma rede IP crítica. Requisitos de cibersegurança, atualizações remotas, integração com diretórios corporativos, gestão de identidades e logs tornam‑se parte da conversa desde o primeiro momento. A segurança deixa de ser um mundo à parte e passa a encaixar numa arquitetura global de dados e aplicações.

As arquiteturas híbridas dominam também neste setor, com uma combinação de edge e cloud a tornar‑se praticamente inevitável. Câmaras com IA embarcada conseguem realizar análises locais, como deteção de movimento anómalo, contagem de pessoas ou reconhecimento de padrões, enquanto a cloud agrega dados históricos, correla eventos entre locais diferentes e alimenta modelos analíticos mais pesados. A gravação pode continuar em sistemas locais por razões legais ou de largura de banda, mas o valor real vem desta dupla Edge + Cloud a trabalhar em sintonia.

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A vigilância móvel surge como outra tendência relevante. Unidades móveis equipadas com câmaras de alta resolução, conectividade avançada e sistemas de energia otimizados permitem monitorizar festivais, obras, eventos desportivos ou zonas remotas sem necessidade de infraestrutura fixa. A melhoria na gestão de energia e na conectividade faz com que estes sistemas sejam mais autónomos e rápidos de instalar, reduzindo custos operacionais e barreiras burocráticas.

Ao mesmo tempo, reforça‑se a cibersegurança ao nível dos dispositivos de borda. Arranque seguro, sistemas operativos assinados digitalmente e mecanismos de proteção mais rígidos transformam sensores e câmaras em elementos confiáveis dentro da cadeia de segurança, reduzindo o risco de que sejam usados como ponto de entrada para ataques à rede corporativa.

Mercado de trabalho, RH e talento aumentado na era da IA

O mundo do trabalho entra em 2026 num ciclo menos eufórico e bem mais exigente. Depois de anos marcados por contratações aceleradas e adoção entusiasmada de novas tecnologias, muitas organizações passam a privilegiar disciplina orçamental, aumento de produtividade e retorno tangível sobre os investimentos em IA. A fase de experimentação sem métricas claras vai dando lugar a iniciativas mais focadas, com impacto direto em resultados.

Neste contexto, três grandes frentes marcam o mercado de trabalho: a convergência entre recursos humanos e tecnologia, o regresso ao mapeamento rigoroso de competências e o alinhamento entre expectativas e realidade no uso da IA. A separação rígida entre “RH” e “TI” perde sentido quando algoritmos começam a influenciar recrutamento, avaliação de desempenho e desenvolvimento de carreira, exigindo governação de dados sólida, critérios éticos claros e supervisão humana qualificada.

O inventário de competências reaparece como ferramenta estratégica. A aceleração tecnológica revelou que muitas empresas simplesmente não sabem, com precisão, que capacidades possuem internamente. Com congelamentos ou maior prudência nas contratações, cresce a pressão para maximizar o talento disponível, identificar lacunas críticas e apostar em requalificação e mobilidade interna em vez de recorrer sempre ao mercado externo.

Esta lógica está intimamente ligada ao impacto da automação e da IA. Funções repetitivas ou altamente estruturadas tendem a ser automatizadas, enquanto competências distintivamente humanas – pensamento crítico, resolução de problemas complexos, criatividade, liderança, empatia – tornam‑se ainda mais valiosas. Em 2026, quem conseguir mapear de forma fina quais skills podem ser delegadas a sistemas e quais precisam de ser reforçadas em pessoas terá uma vantagem competitiva real.

A gestão das expectativas sobre a IA é outro ponto sensível. Muitas empresas continuam a encarar a tecnologia como solução mágica para ganhos de produtividade, sem investir na formação necessária ou na literacia digital das equipas. Isso cria experiências de trabalho desiguais: alguns profissionais beneficiam de ferramentas poderosas e bem integradas, enquanto outros se sentem pressionados a usar sistemas que mal compreendem, gerando resistência, ansiedade e perceções de injustiça.

Surge daí o conceito de augmented connected workforce: equipas conectadas e aumentadas por sistemas inteligentes, realidade aumentada, automação cognitiva e agentes de IA. Em vez de substituir pessoas, a tecnologia passa a amplificar capacidades humanas, permitindo que o foco saia das tarefas repetitivas e se centre em criatividade, especialização e resiliência. Países como Portugal, com forte ligação ao ecossistema de inovação europeu e boa capacidade de absorção tecnológica, tendem a beneficiar se conseguirem alinhar velocidade de adoção com responsabilidade e transparência.

Cibersegurança avançada, espaços de dados e computação quântica

A cibersegurança deixa de ser “apenas” uma camada de proteção e torna‑se eixo central da resiliência operacional. T-Systems sublinha a importância de antecipar ameaças e sequestros de informação num cenário em que IT (tecnologias de informação) e OT (tecnologias operacionais) convergem. Sistemas industriais, redes de transporte, energia e infraestruturas críticas estão hoje expostos a ataques cada vez mais sofisticados, obrigando a estratégias de defesa integradas.

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As organizações começam a adotar abordagens XDR (Extended Detection & Response), combinando IA, automação e machine learning para detetar padrões de ameaça em tempo real em múltiplos vetores: endpoints, redes, aplicações, identidades e cloud. A isto juntam‑se modelos de “segurança por design”, auditorias recorrentes, caça proativa a ameaças, gestão externa de chaves de encriptação e inteligência de ameaças especificamente orientada para o risco emergente da computação quântica.

Os próprios sistemas de IA tornam‑se alvo prioritário. Estudos recentes, como o patrocinado pela Indra em colaboração com a Universidade de Coimbra, mostram que mais de 80% dos modelos avançados de IA testados continuam vulneráveis a manipulações sofisticadas, capazes de induzir respostas erradas ou gerar código inseguro. À medida que a IA assume papéis mais autónomos nos sistemas empresariais, proteger dados de treino, pipelines de ML e modelos implantados torna‑se tão importante quanto proteger aplicações clássicas.

Ligado a tudo isto, os espaços de dados (data spaces) ganham protagonismo. São ecossistemas de partilha federada de informação, concebidos para permitir que empresas e entidades públicas troquem dados de forma segura, padronizada e governada, dinamizando a economia dos dados sem abdicar de controlo e privacidade. Projetos europeus como GAIA-X e associações como a International Data Spaces Association procuram estabelecer bases comuns para estes ambientes interoperáveis.

A computação quântica, por sua vez, avança para fases cada vez mais concretas. Embora ainda longe de uso massivo, 2026 marca um momento em que aplicações práticas começam a ganhar forma em áreas como previsão climática, finanças, desenvolvimento de materiais e descoberta de fármacos. Paralelamente, cresce o investimento em criptografia pós‑quântica e em técnicas que mitiguem o futuro risco de que dados encriptados hoje possam ser armazenados e quebrados quando a capacidade quântica atingir escala.

Sustentabilidade, FinOps e eficiência energética como vantagem competitiva

A sustentabilidade deixa de ser um “extra” reputacional e passa a ser fator de competitividade. A Diretiva Europeia de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) obriga empresas a reportar, com dados quantificáveis, como integram preocupações ambientais, sociais e de governação na sua estratégia. A tecnologia torna‑se, assim, uma aliada essencial para medir emissões, otimizar consumos, melhorar rastreabilidade e suportar modelos de economia circular; isso inclui enfrentar a obsolescência programada.

O peso energético da IA e da computação avançada coloca a eficiência no centro das decisões. A TD Synnex destaca que investimentos em data centers e servidores acelerados, otimizados para IA, vão crescer fortemente, mas sempre acompanhados de soluções de eficiência energética e redes inteligentes. Empresas que conseguirem combinar desempenho tecnológico com responsabilidade ambiental terão vantagem competitiva, tanto em custos operacionais como em acesso a financiamento e reputação.

Neste contexto, a disciplina financeira sobre a cloud – o famoso FinOps – ganha força. Ambientes multicloud e híbridos tornam os custos difíceis de prever e controlar, especialmente quando equipas de desenvolvimento podem provisionar recursos com alguns cliques. Práticas FinOps ajudam a trazer visibilidade, a alinhar equipas técnicas e financeiras e a garantir que cada serviço “as‑a‑service” contribui para a rentabilidade global, não apenas para a agilidade técnica.

Alianças europeias e escolha criteriosa de parceiros tecnológicos tornam‑se igualmente críticas para avançar rumo à soberania digital. Iniciativas como a Aliança Europeia da Indústria Tecnológica Soberana (ESTIA), o GAIA-X e outros consórcios financiados por fundos comunitários mostram que nenhuma organização isolada conseguirá, sozinha, desenvolver toda a pilha tecnológica necessária. Parcerias estratégicas e participação ativa nestes ecossistemas são cada vez mais um requisito para influenciar normas, aceder a inovação e obter financiamento.

O mosaico de tendências para 2026 – IA agêntica, inferência em escala, redes otimizadas, IA e cloud soberanas, cibersegurança preditiva, computação quântica, edge inteligente, ecossistemas de segurança física, mercado de trabalho aumentado, FinOps e sustentabilidade – compõe um quadro exigente, mas cheio de oportunidades. As organizações que conseguirem articular tecnologia, talento, governação de dados e responsabilidade social de forma coerente estarão melhor posicionadas para não só acompanhar o novo ciclo tecnológico global, como também liderar a sua transformação em valor seguro, sustentável e confiável.

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