- Estado atual da PS4, atualizações de sistema e sinais de fim de ciclo.
- Estratégia da Sony para exclusivos, PC, PS5 e sucessora da consola.
- Impacto em jogos como Bloodborne e Resident Evil Requiem.
- O que jogadores de PS4 podem esperar para os próximos anos.
A PlayStation 4 continua a ser uma das consolas mais populares de sempre, mas o cenário à sua volta está a mudar rapidamente, com novas atualizações de sistema, alterações na estratégia da Sony e um foco cada vez maior na PS5 e na nova geração. Se jogas diariamente na PS4 ou estás a pensar finalmente fazer o upgrade, vale a pena entender o que está a acontecer nos bastidores para perceber até quando a consola vai continuar relevante e como aumentar a velocidade de download do teu PS4.
Entre mensagens oficiais da Sony que quase soam como um “adeus”, mudanças na política de exclusivos para PC, decisões polémicas em torno de jogos muito pedidos como Bloodborne e novos títulos que já ignoram a geração passada, o presente e o futuro da PS4 estão cheios de sinais importantes. Vamos reunir tudo o que está a acontecer e o que isso significa para ti como jogador.
Atualização de software 13.04 da PS4 e o recado escondido da Sony
A Sony lançou recentemente a atualização de sistema 13.04 para a PS4, um update que, à primeira vista, parece apenas mais um daqueles patches de rotina com correções de estabilidade e segurança. A descrição oficial fala em melhorias no software de sistema e correções de bugs, algo já bastante habitual para quem acompanha o ciclo da consola há anos.
O detalhe curioso é que, juntamente com esta atualização, vários utilizadores começaram a receber uma mensagem oficial da Sony a incentivar de forma bem direta a migração para a PS5, listando alguns dos grandes lançamentos previstos para 2025 e 2026. A notificação dá a entender que quem permanece na PS4 pode começar a ficar para trás em relação às experiências mais modernas.
Segundo relatos, a mensagem menciona jogos como Clair Obscur: Expedition 33, ARC Raiders e Ghost of Yōtei para 2025, bem como títulos esperados de 2026, como SAROS, 007 First Light e Nioh 3, todos pensados já com foco na nova geração. Chama a atenção o facto de um gigante como GTA 6 nem sequer ser citado, reforçando que a Sony está mais preocupada em puxar a atenção para o seu próprio ecossistema de exclusivos e grandes parcerias.
O texto apresentado a proprietários da PS4 é quase uma chamada à ação: se queres aproveitar os lançamentos de 2025 e preparar-te para os jogos mais aguardados de 2026, “agora é o momento perfeito” para trocar para uma PS5. Traduzindo: a fabricante está a deixar claro que o futuro do seu catálogo vai girar em torno da nova consola.
A implicação desta abordagem é clara: a PS4 entra cada vez mais na fase final do seu ciclo de vida, com menos prioridade para novos recursos e mais foco em manter apenas o essencial a funcionar. Mesmo que ainda receba alguns títulos e updates, a prioridade de investimento e comunicação deslocou-se quase totalmente para a PS5.

Fim gradual de serviços da PS4 e impacto na PlayStation Network
Outro ponto que reforça o fim de ciclo da PS4 são documentos internos, revelados anteriormente por fontes da indústria, indicando que alguns serviços importantes ligados à consola deixarão de ser suportados a partir de 2026. Isso não significa que a consola vai “morrer” de um dia para o outro, mas certos recursos online podem deixar de funcionar ou ser limitados.
Entre os elementos mais sensíveis estão integrações específicas com a PlayStation Network, que novos jogos para PS4 deixariam de poder usar após essa data. Isto implica que, mesmo que algum estúdio ainda queira lançar jogos para a consola, pode ficar sem acesso a determinadas funcionalidades online, sociais ou de conectividade avançada.
Na prática, a PS4 tende a transformar-se progressivamente numa máquina mais focada em experiências locais e em jogos já lançados, enquanto as integrações mais modernas da PSN passam a ser exclusivas da PS5 e de futuras consolas. Para quem joga sobretudo online, este é um sinal de alerta importante.
Essa transição gradual é típica no mercado de consolas, mas a forma como a Sony tem comunicado, com mensagens quase a “empurrar” o jogador para o upgrade, mostra que o objetivo é encurtar ao máximo o período em que precisam de manter duas gerações plenamente ativas. Com a pressão de custos de hardware e o foco no lucro, manter apenas uma plataforma central simplifica muito a operação.
Jogos PS4, novidades e a sensação de que a próxima aventura já é na PS5
Ainda assim, a PS4 continua a ter um catálogo impressionante de jogos que valem muito a pena, e muitos deles estão a preços mais acessíveis do que nunca. Desde experiências cinematográficas a jogos de ação frenética e aventuras de mundo aberto, há títulos suficientes para muitos anos de diversão, incluindo clássicos como Uncharted 4.
Quer queiras balançar entre arranha-céus ao estilo super-herói, entrar em combates intensos ou assumir o papel de herói improvável numa narrativa profunda, a atual biblioteca da PS4 oferece praticamente um pouco de tudo. A consola consolidou-se como um dos melhores lugares para quem gosta de histórias envolventes e jogabilidade refinada.
Ao mesmo tempo, os lançamentos já anunciados para os próximos anos mostram que as grandes apostas da Sony e dos estúdios parceiros vão estar centradas na PS5 e, eventualmente, na sucessora da consola. Muitos jogos que antes teriam versões cross-gen estão agora a ser planeados exclusivamente para o hardware mais recente.
Para o utilizador comum, a sensação é de que a “próxima grande aventura” que a Sony tanto promove já não vai acontecer na PS4, mas sim na PS5, que se torna o palco principal das novidades tecnológicas, gráficas e de jogabilidade. A PS4, por sua vez, passa a ser a plataforma ideal para recuperar clássicos e colocar o backlog em dia.

PlayStation Talents, criatividade indie e o caso do jogo sobre Alzheimer
No meio desta transição geracional, a PS4 também foi palco de projetos criativos e emocionais, como os títulos que passaram pelo programa PlayStation Talents. Um dos destaques recentes neste contexto foi um jogo independente centrado na temática do Alzheimer.
Com frases marcantes como “Antes de perdermos alguém, essa pessoa perde-se de si própria”, o projeto chamou a atenção por abordar uma doença delicada de forma sensível, usando o videojogo como ferramenta de reflexão e empatia. A obra acabou por vencer a edição de 2020 dos PlayStation Talents, garantindo um apoio financeiro na ordem dos 10 mil euros para o seu desenvolvimento.
Com uma pequena equipa por trás — nomes como Calebe, Ruben, Aquiles e Carlos foram associados ao projeto — o jogo mostra como a PS4 também serviu de palco para experiências emocionais e autorais, para além dos grandes blockbusters. Esses títulos normalmente não ganham tantos holofotes, mas ajudam a diversificar o catálogo da consola.
Este tipo de iniciativa evidencia que, mesmo numa fase de fim de ciclo, a PS4 ainda é uma base sólida para criadores independentes que querem contar histórias diferentes, tocar em temas sérios e experimentar mecânicas menos convencionais. Para o jogador curioso, vale sempre a pena ficar de olho nesses projetos.
Bloodborne, remaster sonhado e a resistência de Miyazaki e FromSoftware
Se há um jogo da era PS4 que é constantemente pedido em remaster ou remake, esse jogo é Bloodborne. O clássico da FromSoftware é adorado por milhões de jogadores, mas sempre carregou o fardo de um desempenho técnico longe do ideal, com instabilidades e limitações que muitos acreditam que um relançamento poderia resolver.
Ao longo dos anos, perguntas sobre uma versão para PC, PS5 ou até uma reedição completa de Bloodborne foram feitas repetidamente a Hidetaka Miyazaki, presidente da FromSoftware e diretor do jogo. As respostas, porém, têm sido sistematicamente vagas, sem qualquer confirmação concreta.
Informações de bastidores, vindas de fontes reputadas como o jornalista Jason Schreier, indicam que tanto a PlayStation como o estúdio Bluepoint Games (especialista em remakes, recentemente encerrado) tinham interesse em refazer Bloodborne. O problema? A FromSoftware, com Miyazaki à frente, não teria demonstrado vontade de avançar com esse plano.
Esta situação levanta a questão da propriedade intelectual: a Sony detém os direitos sobre a marca Bloodborne, mas a FromSoftware é a criadora por trás de sucessos como Elden Ring, Dark Souls e Sekiro: Shadows Die Twice. Forçar um remake sem o aval do estúdio poderia prejudicar uma relação extremamente valiosa para futuros projetos exclusivos.
Até mesmo Shuhei Yoshida, um dos nomes históricos da PlayStation, já deu a entender que a Sony não quer arriscar desgastar o relacionamento com a FromSoftware apenas para lançar um remake, por mais desejado que seja. Em termos de negócio, parece que o custo de um eventual atrito seria maior do que o ganho com a nova versão do jogo.
Diante deste cenário, a hipótese mais realista para os fãs é que um Bloodborne Remake só aconteça se a própria FromSoftware decidir pegar no projeto, possivelmente numa pausa da sua parceria com a Bandai Namco. Até lá, o jogo continua preso à sua versão original de PS4, sem melhorias oficiais significativas para a nova geração.
Resident Evil Requiem e o fim dos grandes lançamentos na PS4
Outro exemplo claro de como a geração PS4 está a ficar para trás é Resident Evil Requiem, novo capítulo da famosa saga de terror da Capcom. O jogo foi lançado oficialmente para PS5, Xbox Series X|S, PC e Switch 2, deixando muitos jogadores a perguntar-se se haveria também versão para PS4 e Xbox One, especialmente quem acompanhou a saga desde Resident Evil 0.
A dúvida faz sentido, já que Resident Evil Village e o remake de Resident Evil 4 receberam versões para a geração anterior. No entanto, desta vez a Capcom traçou uma linha mais rígida: Requiem foi concebido do zero para a nova geração, sem planos de adaptação para a PS4.
De acordo com o diretor Koshi Nakanishi, a equipa decidiu focar totalmente no PS5 para poder explorar ao máximo os recursos da consola, especialmente no que diz respeito ao terror e à imersão. Entre os destaques citados estão o feedback háptico do DualSense, os gatilhos adaptativos e o áudio 3D.
Essas funcionalidades são usadas para reforçar a sensação de medo, por exemplo com vibrações específicas durante ataques de inimigos, resistência no gatilho ao disparar armas e um desenho de som espacial que faz o jogador sentir que algo se aproxima por trás ou pelos lados. Segundo a equipa, isto não seria reproduzível da mesma forma no hardware da geração anterior.
Além disso, para o PS5 Pro, o jogo oferece opções de ray tracing completo em 4K a 60 FPS e também modos de desempenho que chegam até 120 FPS sem ray tracing. Toda esta ambição técnica reforça a decisão de abandonar de vez o suporte à PS4 neste projeto em particular.
A Capcom deixa claro que abdicar dos consoles antigos foi uma escolha estratégica para evitar que limitações técnicas comprometessem a visão de terror que tinham para Requiem. A aventura alterna momentos de tensão extrema com pequenas pausas de alívio, e manter a fluidez gráfica e sonora é parte essencial deste equilíbrio.
A virada da Sony: menos single-player no PC, mais exclusividade de consola
Nos últimos anos, a Sony tinha construído uma imagem muito positiva junto dos jogadores de PC ao levar para essa plataforma alguns dos seus maiores hits single-player, como God of War, Marvel’s Spider-Man e The Last of Us. Para muita gente, parecia que a barreira da exclusividade começava a cair.
No entanto, rumores insistentes apoiados por fontes credíveis da indústria indicam que essa fase pode estar perto do fim, ou pelo menos mudar de forma radical. Comentários recentes de jornalistas como Jason Schreier, em programas e podcasts especializados, apontam para uma forte reestruturação da estratégia da PlayStation no PC.
A nova linha de pensamento da Sony seria concentrar a presença no PC quase exclusivamente em jogos live-service, ou seja, títulos com forte componente online, atualizações contínuas e foco em monetização a longo prazo. Já as grandes aventuras narrativas single-player, que são a cara da marca PlayStation, tenderiam a permanecer bloqueadas nas consolas.
Marvel’s Wolverine, da Insomniac Games, surge como o exemplo perfeito desta possível política: apesar de ser aguardado com enorme expectativa, as probabilidades de receber uma versão PC seriam, segundo fontes, extremamente reduzidas. O objetivo seria usar esse tipo de exclusivo como principal argumento para comprar uma PS5.
Por detrás desta mudança está uma lógica comercial simples: se as vendas em PC de determinados jogos single-player não forem suficientemente impressionantes, a perda do “fator exclusividade” pode não compensar. Manter o jogo apenas na consola ajuda a vender hardware, acessórios e subscrições, algo central para o modelo de negócio da Sony.
Visão de mercado, crise de hardware e adiamento da próxima PlayStation
A visão de que o PC vai deixar de ser prioridade para os grandes jogos narrativos da Sony é partilhada também por analistas e especialistas em tecnologia, como John Linneman, da Digital Foundry. Segundo ele, a atual liderança da empresa parece pouco interessada em criar um ecossistema amplo ao estilo da Microsoft.
Enquanto a Xbox aposta forte em colocar os seus títulos em múltiplas plataformas e serviços, a Sony prefere reforçar o modelo clássico de consola como centro da experiência. Isso envolve valorizar o catálogo de exclusivos e tratar o PC mais como um complemento estratégico em casos específicos, e não como um pilar principal.
Linneman também comenta que não enxerga a Sony a investir numa espécie de “launcher” próprio para PC ou numa ofensiva agressiva nesta plataforma. Pelo contrário, o foco tenderá a diminuir com o tempo, especialmente nos jogos single-player que definem o ADN da marca.
Este reposicionamento estratégico pode estar relacionado com a atual crise de hardware, muito influenciada pela explosão da inteligência artificial. O aumento expressivo nos custos de memória e componentes torna mais caro produzir novas consolas, o que pode atrasar a chegada da PlayStation 6.
Alguns analistas já projetam que a sucessora da PS5 só deva chegar ao mercado entre 2028 e 2029, um ciclo mais longo do que o habitual. Nesse contexto, reforçar a PS5 com um alinhamento forte de exclusivos torna-se fundamental para manter a consola atrativa durante mais tempo.
Esta situação levanta ainda dúvidas sobre o papel de estúdios internos como a Nixxes Software, especializada em ports para PC, especialmente no mesmo período em que o icónico Bluepoint Games foi encerrado. Se os grandes single-player forem cada vez menos levados para o computador, a função da Nixxes pode passar por uma reavaliação interna.
Live-service no PC, Helldivers 2 e o que continua multiplataforma
Apesar da retração prevista nos grandes jogos narrativos single-player no PC, a Sony não vai abandonar completamente esta plataforma. A aposta continuará forte nos títulos live-service, cujo modelo de negócio se beneficia muito de uma base de jogadores ampla e multiplataforma.
Helldivers 2 é um dos exemplos mais contundentes de como esta estratégia pode ser lucrativa, com lançamento simultâneo em consola e PC a gerar uma comunidade grande e ativa. A combinação entre cooperação online, atualizações constantes e microtransações bem calibradas cria uma fonte de receita prolongada.
Entre os próximos projetos live-service da Sony que devem chegar também ao PC estão nomes como Marathon, Horizon Hunters Gathering, MARVEL Tōkon: Fighting Souls e o conturbado Fairgame$. Todos estes seguem a lógica de serviço em vez de experiência fechada e puramente narrativa.
Para o jogador de PS4, isto significa que, na parte multiplayer e live-service, a Sony ainda vê vantagem em abrir as portas para o computador, mas no campo das campanhas cinematográficas e histórias de autor, a tendência é trancar tudo no ecossistema PlayStation. A exclusividade volta a ser a palavra-chave.
No fim das contas, quem está atualmente na PS4 assiste a uma espécie de reposicionamento global da marca, que reforça a importância da PS5 e dos seus exclusivos para manter a PlayStation como referência no mercado, enquanto a velha consola vai sendo lentamente empurrada para o papel de máquina de clássicos. Entre atualizações discretas, mensagens nada subtis a recomendar o upgrade, decisões polémicas como a ausência de Bloodborne Remake e jogos de peso como Resident Evil Requiem a saltarem a geração anterior, o cenário deixa bem claro: ainda há muito para jogar na PS4, mas o centro das atenções da Sony já está firmemente na nova geração.