- Os tablets evoluíram de promessa futurista a ferramenta estável, com papéis bem distintos em casa, na escola e no trabalho.
- Escolher o modelo certo depende sobretudo do uso: crianças, família, estudo, criação de conteúdos ou produtividade profissional.
- Mais do que o design, contam ecrã, processador, RAM, armazenamento, conectividade e acessórios como caneta e teclado.
- Quando bem encaixado nas necessidades do utilizador, o tablet complementa smartphone e portátil em vez de tentar substituí‑los à força.

Os tablets já foram apresentados como o grande futuro do computador pessoal: mais leves que um portátil, com ecrã tátil, bateria duradoura e perfeitos para consumir conteúdos em qualquer lado. Hoje, continuam a ser dispositivos versáteis, mas rodeados de dúvidas: servem para trabalhar, estudar, criar ou são apenas um ecrã maior para ver séries?
A realidade é que o mercado dos tablets passou por fases de euforia, queda e reinvenção. A pandemia devolveu-lhes algum protagonismo, mas muitos utilizadores continuam sem saber exatamente que tipo de tablet escolher, que especificações são importantes e até que ponto podem substituir um portátil ou complementar o smartphone. Este guia junta tudo o que precisa de saber para não se perder no meio de modelos, tamanhos e promessas de marketing.
O que é afinal um tablet e como chegámos aqui
Um tablet é um dispositivo pessoal em formato de prancheta, com ecrã tátil como principal forma de interação, pensado para navegar na Internet, consumir multimédia, organizar tarefas, ler livros e até trabalhar ou estudar. Normalmente, o ecrã tem cerca de 7 a 13 polegadas (ou mais), posicionando-se entre o smartphone e o portátil.
A ideia de um computador em forma de prancheta não é recente. Já em meados do século XX se imaginavam dispositivos assim, e filmes como “2001: Uma Odisseia no Espaço” mostravam objetos muito parecidos com os tablets atuais. Durante décadas houve protótipos e experiências com “tablet PCs” operados com caneta, usando versões adaptadas de sistemas de desktop, mas eram caros, pesados e de nicho.
O verdadeiro ponto de viragem aconteceu em 2010, com o lançamento do primeiro iPad pela Apple. Pela primeira vez, um tablet foi desenhado desde raiz para o grande público: interface simples, loja de apps, boa autonomia e um ecrã perfeito para consumo de conteúdos. Em pouco tempo, outras marcas seguiram o mesmo caminho com dispositivos baseados em Android, como o Samsung Galaxy Tab, e o tablet passou a ser presença comum em casas, escolas e empresas.
Nos anos seguintes, as vendas dispararam: dezenas de milhões de unidades por ano, com o Android a conquistar uma fatia enorme do mercado em número de dispositivos, enquanto a Apple liderava em receita e lucratividade. Em 2021, estimava-se mais de mil milhões de utilizadores de tablets no mundo, com Apple, Samsung e Lenovo como fabricantes de referência.
Depois do pico, chegou a fase de desgaste. Muitos utilizadores perceberam que não precisavam de trocar de tablet todos os anos como faziam com o smartphone, os ecrãs dos telemóveis cresceram, alguns portáteis ficaram mais leves e muitas marcas começaram a lançar modelos baratos, lentos e pouco inspiradores. As vendas globais caíram durante vários anos e alguns fabricantes abandonaram o segmento.
Porque é que os tablets perderam gás… e porque ainda fazem sentido
O tablet acabou por ficar “entalado” entre o smartphone e o portátil. Para muita gente, um telemóvel com ecrã grande já resolve quase tudo, e quando é preciso trabalhar a sério recorre-se a um portátil. O tablet parecia não ter um papel claro.
Ao mesmo tempo, a própria indústria contribuiu para a confusão. Prometeu tablets como “o computador do futuro”, mas encheu o mercado de modelos de gama baixa, com processadores fracos, pouca memória e atualizações de software escassas. Resultado lógico: experiência mediocre, reviews mornas, perda de interesse e menos investimento em software dedicado.
Algumas marcas chegaram a sair do jogo ou reduziram drasticamente a gama. Fabricantes como a ASUS ou a Acer, que apostaram em tablets durante alguns anos, acabaram por recuar. Hoje, quem domina realmente são empresas que também controlam ecossistemas de smartphones e PCs: Apple, Samsung, Xiaomi, Lenovo e poucas mais.
Mesmo entre as gigantes, nota-se uma certa hesitação. Há marcas que já não lançam modelos topo de gama todos os anos, porque simplesmente não há procura suficiente para justificar ciclos tão curtos. E muitas apostas focam-se na gama de entrada, o que reforça a perceção do tablet como “ecrã barato para ver vídeos” em vez de ferramenta poderosa.
A Apple é o exemplo perfeito desta dualidade. Equipa os iPad Pro com processadores ao nível (ou superiores) a muitos portáteis, mas mantém o iPadOS com limitações face ao macOS, sobretudo em multitarefa, gestão de ficheiros e software profissional. A mensagem implícita é clara: há hardware de sobra, mas não compensa transformar totalmente o tablet num substituto do portátil enquanto a procura continuar limitada.
Hardware potente vs software limitado: a grande questão dos tablets
Nos tablets topo de gama, o nível de hardware já não é problema. iPad Pro, Samsung Galaxy Tab S9, alguns Lenovo Tab e MatePad recentes da Huawei oferecem processadores muito rápidos, vários gigabytes de RAM, ecrãs de alta resolução com taxas de atualização elevadas, suporte para caneta e som de qualidade.
A diferença brutal entre um tablet barato e um topo de gama sente-se em tudo: abrir apps, trocar entre aplicações, desenhar com caneta, ver filmes em HDR, editar fotos, fazer videochamadas… Num modelo económico, é comum haver engasgos, ecrãs com cores pobres e pouca luminosidade, câmaras fracas e falta de atualizações.
Ainda assim, é o software que continua a ditar grande parte da experiência. Muitos tablets Android foram, durante anos, pensados apenas como “telefone grande”: apps mal adaptadas ao ecrã maior, interfaces pouco otimizadas, multitarefa limitada. A Google melhorou bastante este cenário com versões recentes do Android otimizadas para ecrãs grandes, mas ainda há inconsistente entre apps.
No universo Apple, o iPadOS é mais polido, mas também tem o seu teto. Apesar de suportar multitarefa avançada, caneta, teclados físicos e ligação a monitores externos, ainda não oferece toda a flexibilidade e catálogo de software profissional que se encontra num macOS ou Windows completo. Para muitos criadores e profissionais, continua a ser uma excelente ferramenta complementar, mas não o único equipamento de trabalho.
Em resumo: o potencial está lá, sobretudo nos modelos de gama média e alta. O que falta é uma estratégia de software mais agressiva e uma visão menos confusa por parte das marcas, com gamas bem definidas para perfis distintos, em vez de um mar de tablets baratos quase indistinguíveis.
Como escolher o melhor tablet para o seu caso
Antes de olhar para marcas, promoções ou designs, faça-se uma pergunta simples: “Para que quero mesmo o tablet?”. A resposta a esta questão é o filtro principal que vai evitar desperdícios de dinheiro e frustrações.
Outro ponto crítico é definir um orçamento realista e não o ultrapassar sem necessidade. Hoje em dia há tablets desde menos de 100 euros até bem acima dos 2 000 euros, dependendo do segmento e dos acessórios. Saber quanto pode gastar ajuda a limitar o leque de opções e a focar nas especificações que realmente interessam para o uso que pretende.
Depois, vale a pena alinhar três grandes blocos de decisão: finalidade (consumo, estudo, trabalho, criação, crianças), características técnicas (tamanho de ecrã, processador, RAM, armazenamento, conectividade) e acessórios (caneta, teclado, capas, proteção, etc.). Com isso em mente, vamos explorar os principais perfis de utilização.
Tablets para crianças: diversão com controlo
Quando o tablet é pensado para crianças, a prioridade não é ter o processador mais rápido do mercado, mas sim garantir robustez, controlo parental e um preço que não doa demasiado se o aparelho se estragar.
É recomendável limitar o tempo de ecrã dos mais novos, usando ferramentas de controlo parental e definindo períodos claros para ver desenhos animados, jogar ou usar apps educativas. Muitos sistemas incluem perfis infantis que bloqueiam conteúdos inapropriados e permitem gerir o tipo de apps instaladas.
Existem tablets concebidos especificamente para crianças, com capas grossas e interfaces simplificadas, mas em geral o desempenho destes modelos fica aquém de tablets “normais” na mesma faixa de preço. Uma alternativa é optar por um tablet Android compacto (por exemplo, 8 a 10 polegadas) relativamente barato e adicionar uma boa capa resistente e protetor de ecrã.
Em termos de ecrã e preço, um modelo abaixo das 10 polegadas costuma chegar bem para consumo de multimédia e jogos simples. Há opções por menos de 100 euros, que, usadas apenas para YouTube Kids, Netflix e alguns jogos leves, cumprem o objetivo.
Não se esqueça da segurança física. Nas mãos de crianças, quedas são inevitáveis: uma capa robusta e um vidro temperado podem duplicar a vida útil do equipamento. Vale também a pena criar um perfil de criança ou utilizar apps de controlo parental (como Google Family Link) para gerir horários e autorizações.
Tablets para adolescentes e uso familiar partilhado
Para adolescentes, o tablet começa a ser mais do que um brinquedo: é ferramenta de estudo, comunicação e entretenimento. Aí, um pouco mais de potência faz diferença, especialmente se houver videochamadas frequentes, aulas online ou uso intensivo de apps de produtividade.
Um tablet de gama média costuma ser o “ponto doce” para famílias: bom desempenho, ecrã entre 10 e 11 polegadas, memória suficiente e um preço ainda acessível. Modelos com 64 GB de armazenamento interno chegam para quem usa sobretudo streaming, mas se for gravar muitos vídeos ou instalar muitos jogos, 128 GB ou mais tornam-se recomendáveis.
Se o uso incluir muitas fotos e vídeos para redes sociais, vale a pena olhar para a qualidade das câmaras frontal e traseira, assim como para os microfones. Uma boa experiência em videochamadas (aulas, conversas com amigos, videoconferências) depende não só da lente, mas também do software de otimização.
No uso familiar partilhado, os tablets Android e Windows são geralmente mais flexíveis em perfis de utilizador, permitindo contas separadas com apps e definições específicas para cada pessoa. No ecossistema Apple, cada iPad está, na prática, muito associado a uma única conta, o que pode ser menos prático para partilha em casa.
Em termos de preço, um tablet de gama média competente pode ir de cerca de 150 até perto de 1 000 euros, dependendo da marca, do tamanho do ecrã, da qualidade de construção e da presença (ou não) de acessórios como caneta e teclado incluídos.
Tablets para desenhar, editar fotografia e criar conteúdo
Se a ideia é usar o tablet como caderno digital de desenho, edição de fotos ou mesmo vídeo leve, o ecrã passa a ser a estrela do espetáculo. Não se trata apenas do tamanho, mas também da resolução, fidelidade de cores, brilho e taxa de atualização.
Para quem desenha ou gosta de trabalhar com detalhe, um ecrã de 12 polegadas ou mais é altamente recomendável. Com menos do que isso, a área útil pode parecer apertada, especialmente se tiver barras de ferramentas e painéis flutuantes das apps criativas a ocupar espaço.
Neste perfil, a compatibilidade com caneta é obrigatória. Muitas marcas vendem a stylus em separado, outras incluem-na na caixa (como acontece em vários modelos da Samsung com S Pen ou alguns Lenovo Tab). Convém verificar a latência, os níveis de pressão e se há suporte para inclinação e atalho de botão, fatores que fazem toda a diferença para artistas e designers.
Em termos de armazenamento, partir de 128 GB para cima é uma boa regra, já que ficheiros RAW, projetos de desenho, bibliotecas de pincéis e apps de edição ocupam bastante espaço. Se o tablet tiver slot para cartão microSD, ganha alguma folga para guardar fotos e vídeos sem entupir a memória principal.
Também aqui os modelos topo de gama brilham claramente. Tablets criados para criadores oferecem cores mais fiéis, som de melhor qualidade e potência de sobra para lidar com apps de desenho vetorial, pintura digital, edição de fotos e até edição de vídeo básica.
Tablets para estudantes e uso profissional
Quando o objetivo é estudar ou trabalhar em mobilidade, o tablet transforma-se praticamente num “híbrido” entre portátil e bloco de notas digital. O foco passa a ser produtividade, compatibilidade de ficheiros e conforto de escrita.
Nesse cenário, um teclado físico é quase obrigatório. Escrever longos e-mails, relatórios, trabalhos académicos ou tomar apontamentos rápidos com o teclado virtual pode ser cansativo; já com um teclado destacável ou Bluetooth, a experiência aproxima-se bastante de um portátil tradicional.
Os teclados oficiais das marcas costumam ser mais caros mas mais bem integrados, com encaixes magnéticos, atalhos dedicados e melhor estabilidade. Podem facilmente ultrapassar os 100-130 euros. Teclados universais Bluetooth são muito mais baratos (a partir de 20 euros), embora menos integrados e, às vezes, menos confortáveis.
Para uso académico ou profissional intenso, um ecrã de 12 ou 13 polegadas proporciona a melhor relação entre portabilidade e área de trabalho. Fica mais fácil dividir o ecrã entre duas janelas (por exemplo, notas e PDF) e trabalhar com folhas de cálculo, apresentações ou documentos longos.
Quanto à conectividade, o Wi‑Fi é suficiente para quem trabalha sempre em casa, escritório ou campus. Mas se precisa de ligação em viagem, em transportes ou em locais sem rede wireless, uma versão com 4G/5G integrada pode ser uma grande vantagem, evitando depender constantemente do hotspot do smartphone.
Para estudantes e profissionais, 256 GB de armazenamento interno são uma escolha equilibrada, sobretudo se forem trabalhar com muitos ficheiros offline, anexos de e-mail, apresentações pesadas e alguns conteúdos multimédia. A autonomia também é crítica: o ideal é que o tablet aguente um dia inteiro de aulas ou reuniões sem ter de carregar.
Compatibilidade de software é outro ponto chave. Antes de investir, confirme se as aplicações e formatos que utiliza no PC têm versões funcionais para o sistema do tablet (Office, ferramentas colaborativas, software específico de engenharia, arquitetura, saúde, etc.).
Modelos como iPad Pro ou Microsoft Surface Pro são apostas sólidas neste segmento. O iPad Pro, combinado com o Magic Keyboard e o Apple Pencil (ou equivalentes de outras marcas), oferece desempenho extremo e um excelente ecrã. Já o Surface Pro, com Type Cover, corre Windows completo, o que é uma vantagem enorme para quem depende de software profissional clássico. Os preços podem variar de cerca de 800 euros até mais de 2 500 euros, conforme RAM, armazenamento e conectividade.
Especificações técnicas que realmente importam num tablet
Apesar do design ser a primeira coisa que chama a atenção, são as especificações internas que determinam a experiência no dia a dia. Vale a pena perceber, de forma simples, o que cada componente faz e em que deve prestar atenção.
Ecrã: além do tamanho (geralmente entre 8 e 13 polegadas), conte muito a resolução (quanto mais alta, mais nítida a imagem), o tipo de painel (LCD, OLED, AMOLED), o brilho máximo (importante para uso no exterior) e, para utilizadores avançados, a fidelidade de cor. Taxas de atualização superiores a 60 Hz tornam a navegação e o desenho mais suaves.
Processador e RAM: são o “motor” do tablet. Processadores mais recentes e RAM a partir de 4 GB (de preferência 6 ou 8 GB para usos mais pesados) garantem fluidez, sobretudo ao alternar entre várias apps. Tablets muito baratos costumam sacrificar estes componentes, o que se traduz em lentidão e frustração.
Armazenamento: 32 GB hoje é muito curto para quase tudo; 64 GB é o mínimo aceitável para usos simples; 128 GB ou mais são recomendáveis para quem instala muitas apps, guarda fotos, vídeos e trabalha offline. Um slot microSD ajuda, mas nem todas as marcas o oferecem, especialmente no segmento premium.
Conectividade: todos os tablets trazem Wi‑Fi, mas há diferenças de norma (Wi‑Fi 5, Wi‑Fi 6/6E) que influenciam a velocidade e estabilidade da ligação. Modelos com 4G ou 5G permitem inserir um cartão SIM para ter Internet em qualquer lado, ideal para profissionais em mobilidade. Bluetooth é essencial para emparelhar teclados, auscultadores e outros acessórios.
Bateria: mais importante do que a capacidade em mAh é a combinação de bateria, processador eficiente e software otimizado. Um bom tablet deve aguentar, pelo menos, um dia de uso misto (navegação, vídeo, e‑mail, redes sociais) sem dramas. Tablets de maior ecrã consomem mais, mas também costumam trazer baterias maiores.
Câmaras e som: embora poucos comprem um tablet a pensar na fotografia, uma boa câmara frontal e microfones decentes são obrigatórios para videochamadas claras. Altifalantes estéreo frontais ou laterais bem desenhados contribuem muito para ver filmes e séries sem precisar sempre de auscultadores.
Impacto educativo e profissional dos tablets
Do ponto de vista pedagógico, os tablets provaram ser ferramentas muito flexíveis. Permitem ativar conhecimentos prévios com vídeos e recursos interativos, apoiar explicações em sala de aula, propor tarefas complexas e, ao mesmo tempo, treinar pequenas habilidades com apps específicas.
Muitas escolas já integraram tablets no seu dia a dia, seja com dispositivos partilhados por turma, seja com modelos “1:1”, em que cada aluno tem o seu. A ideia é tornar o ensino mais ativo e personalizado, reforçar competências individuais e facilitar o acesso a manuais digitais, plataformas de aprendizagem e exercícios personalizados.
Também no mundo empresarial, os tablets ganharam um espaço próprio em apresentações, reuniões e trabalho em mobilidade. São ideais para mostrar slides, fazer demonstrações rápidas, recolher assinaturas digitais, aceder a dashboards de dados e manter contacto constante com a equipa via ferramentas colaborativas.
Apesar do recuo global nas vendas após 2014, a pandemia de COVID‑19 funcionou como um grande empurrão. Com mais pessoas em casa e necessidade de dispositivos adicionais para ensino e teletrabalho, marcas como Amazon, Motorola, Nokia e outras voltaram a apostar em tablets ou reforçaram o portefólio existente.
Vantagens e limites dos tablets face a outros equipamentos
Comparado com um portátil, o tablet é mais leve, liga-se quase instantaneamente e é mais confortável para uso casual, como ler, ver vídeos ou navegar no sofá, na cama, no comboio ou no avião. A bateria também costuma durar mais em uso leve e a experiência tátil é mais natural para alguns tipos de tarefas.
Face ao smartphone, a grande vantagem é o tamanho do ecrã: ler documentos longos, estudar PDFs, desenhar, fazer multitarefa e ver filmes é incomparavelmente mais agradável num tablet. Por outro lado, o tablet não substitui o telemóvel no dia a dia, já que não foi feito para andar sempre num bolso.
Comparando com consolas portáteis, e‑readers ou outros dispositivos específicos, o tablet é mais versátil. Pode jogar, ler, trabalhar, comunicar e consumir conteúdos num só aparelho. Em contrapartida, não é tão otimizado como um e‑reader para leitura prolongada (por causa do brilho e tipo de ecrã) nem tão focado em jogos como uma consola dedicada.
Há ainda dispositivos híbridos que se aproximam muito dos tablets, como convertíveis “2 em 1” (portáteis cujo ecrã roda ou se destaca) e phablets, mas a filosofia é semelhante: um ecrã grande tátil que tenta conciliar mobilidade e produtividade.
No fim, o truque está em encaixar o tablet certo no uso certo. Um equipamento básico e barato pode ser perfeito como segundo ecrã familiar ou dispositivo para crianças; já um modelo topo de gama com caneta e teclado pode ser uma ferramenta poderosa para um criador, estudante universitário ou profissional em constante deslocação.
Olhando para a evolução dos tablets — dos primeiros “tablet PCs” de caneta até aos actuais modelos de alto desempenho com IA e ecrãs de nível profissional — percebe‑se que o formato nunca foi o problema em si. O desafio esteve sempre na forma como a indústria os posicionou e como os utilizadores os tentaram encaixar no seu dia a dia. Escolhendo o tablet com base naquilo que realmente precisa, em vez de seguir apenas o marketing ou o preço mais baixo, é perfeitamente possível transformá‑lo num aliado diário para estudar, trabalhar, criar e relaxar, sem a frustração de sentir que comprou “mais um gadget” condenado a ficar esquecido na gaveta.