- Verificar segurança do site, dados da empresa e reputação antes de comprar.
- Desconfiar de ofertas exageradas, links em e-mails/SMS e pedidos urgentes de dados.
- Usar métodos de pagamento com proteção ao comprador e monitorizar cartões.
- Reforçar cibersegurança pessoal com senhas fortes, 2FA e atenção a phishing.

Comprar pela internet já virou rotina: reservamos viagens, encomendamos eletrónicos, roupa, comida e até serviços sem sair de casa. Mas, junto com toda essa comodidade, cresceu também o número de golpes, fraudes e lojas falsas criadas apenas para roubar dinheiro e dados pessoais.
Sem querer assustar ninguém, é bom ter claro que o comércio eletrónico é hoje uma das principais portas de entrada para fraudes online. Estimativas de organismos de cibersegurança indicam que uma grande parte dos internautas já sofreu pelo menos uma tentativa de golpe em compras digitais. A boa notícia é que, com informação e algumas rotinas simples, dá para reduzir muito o risco e comprar com tranquilidade.
Principais riscos e tipos de golpes nas compras online
Antes de aprender a se proteger, ajuda entender quais são os riscos mais comuns quando fazemos compras em lojas virtuais. Assim, fica mais fácil reconhecer situações suspeitas no dia a dia.
Um dos problemas mais frequentes é o roubo de dados pessoais e bancários em sites falsos ou mal protegidos. Nessas páginas, o objetivo dos criminosos é fazer com que o utilizador introduza dados do cartão, palavra‑passe ou documentos de identificação, que depois são usados em outros golpes.
Outro risco recorrente é a fraude económica direta, em que o consumidor paga por um produto que nunca chega ou recebe um artigo falsificado, danificado ou totalmente diferente do anunciado. Em muitos casos, o valor da compra é relativamente baixo justamente para desencorajar que a vítima faça queixa.
Também se multiplicam ataques em que os criminosos usam técnicas de engenharia social, como o phishing e o smishing, para enganar as pessoas através de e‑mail, SMS ou redes sociais, levando‑as a clicar em links maliciosos e inserir dados confidenciais.
Não podemos esquecer ainda os fraudes ligados ao próprio funcionamento do ecommerce, como uso de cartões roubados, criação de contas falsas, bots que fazem compras em massa ou golpes de reembolso em que o comprador mente dizendo que não recebeu o produto.

Como reconhecer se uma loja online é confiável
Um dos passos mais importantes para evitar cair em golpes em lojas virtuais é aprender a avaliar rapidamente se um site é ou não de confiança. Alguns sinais são técnicos, outros são puro bom senso – mas todos contam.
Comece sempre por olhar para a barra de endereço: uma loja séria deve usar HTTPS e mostrar o cadeado de segurança ao lado da URL. Ao clicar no cadeado, é possível ver o certificado digital e confirmar para qual domínio foi emitido e, em certificados avançados, até para qual empresa. Isso não garante tudo, mas é um requisito básico.
Outro ponto crítico é a identificação clara da empresa responsável pela loja. Procure, normalmente no topo ou no rodapé do site, dados como nome da empresa, NIF ou CNPJ, morada física, contactos telefónicos e e‑mail de apoio ao cliente. Se não encontrar nada disso, ou se os dados parecerem vagos ou contraditórios, é motivo para desconfiar.
A qualidade do conteúdo também diz muito. Textos com muitos erros, frases estranhas ou que parecem tradução automática são um forte sinal de alerta. Em muitos golpes, os criminosos copiam descrições de outros sites e misturam com traduções mal feitas, resultando em páginas pouco profissionais.
Por fim, antes de confiar numa loja que não conhece, pesquise opiniões noutros sites, fóruns e plataformas de avaliação e verificar na lista do PROCON. Não se limite aos comentários da própria loja, que podem ser inventados. Consulte, por exemplo, avaliações no Google, portais de reclamação ou serviços como Trustpilot e veja se há queixas recorrentes de não entrega, produtos falsos ou dificuldades em pedir reembolso.
Sinais clássicos de lojas falsas e ofertas enganosas
Os golpistas costumam repetir certos padrões porque funcionam. Se você prestar atenção a alguns detalhes, vai começar a reconhecer rapidamente quando uma promoção ou loja tem “cheiro” de fraude.
Um dos truques mais usados é o de ofertas com preços absurdamente baixos em produtos muito desejados, como smartphones topo de gama, consolas, viagens, bilhetes de concerto ou artigos de luxo. Quando o desconto é tão grande que “faz rir”, assuma imediatamente uma postura de suspeita.
Outra pista é a ausência de métodos de pagamento seguros e conhecidos. Muitas lojas falsas aceitam apenas transferência bancária, PIX, depósito ou métodos pouco rastreáveis, justamente para dificultar o reembolso. A falta de opções como PayPal ou soluções com proteção ao comprador é um mau sinal, especialmente em sites desconhecidos.
Convém observar também a organização geral da página: menus mal feitos, logótipo de baixa qualidade, imagens distorcidas e incoerências no layout indicam pouco cuidado. Embora nem toda loja simples seja fraudulenta, golpistas raramente investem muito tempo em design profissional.
Por fim, repare na forma como a loja fala de envios e devoluções. Se não existir uma secção clara explicando prazos de entrega, custos, política de devolução e garantias, ou se tudo parecer confuso demais, considere isso um grande aviso vermelho.
Golpes de phishing, smishing e páginas que imitam outras
Os criminosos não dependem só de sites armadilhados; uma boa parte dos golpes começa numa mensagem que chega ao seu e‑mail, ao telemóvel ou às redes sociais. É aí que entram o phishing e o smishing.
No phishing clássico, o utilizador recebe um e‑mail que parece vir de um banco, de uma grande loja online ou até de um serviço de entrega. A mensagem fala de um problema urgente – fatura em atraso, conta bloqueada, encomenda retida – e inclui um link para “resolver” a situação. Quando a pessoa clica, é levada para um site falso praticamente igual ao original, onde entrega dados sensíveis sem perceber.
Já o smishing segue a mesma lógica, mas via SMS ou apps de mensagens; saiba como escapar de golpes de phishing. São comuns, por exemplo, mensagens supostamente de serviços de correio dizendo que existe um pacote retido e pedindo um pequeno pagamento de taxas. Ao clicar no link, a vítima cai num formulário fraudulento ou instala malware.
Além disso, existem páginas criadas especificamente para imitar sites famosos ao máximo (conhecido como clone phishing), aproveitando‑se de pequenos detalhes no endereço (domínio). Podem usar subdomínios ou variações quase imperceptíveis, como letras trocadas ou domínios adicionais, para enganar quem não olha com atenção à URL completa.
Para se defender, crie o hábito de nunca confiar em links recebidos por e‑mail ou SMS quando o assunto é dinheiro, senhas ou compras. Em vez de clicar, abra manualmente o site oficial no navegador, escrevendo o endereço que você já conhece ou usando favoritos gravados.
Cuidados com redes sociais e anúncios suspeitos
As redes sociais são um prato cheio para golpistas, porque permitem criar perfis falsos de lojas em minutos e fazer anúncios segmentados para milhares de pessoas. À primeira vista, tudo parece legítimo, mas alguns detalhes entregam a farsa.
Um truque recorrente é a criação de perfis que copiam nome, logótipo e imagens de marcas populares, mudando apenas pequenos detalhes do nome de utilizador. Em muitos casos, essas contas não têm selo de verificação e apresentam histórico recente, com poucos posts e quase nenhuma interação real de clientes.
Os anúncios também podem ser problemáticos. Muita publicidade “milagrosa” leva a sites de dropshipping pouco transparentes ou a páginas que desaparecem pouco tempo depois de capturar dados e pagamentos. Se o anúncio parece exagerado demais e a oferta está muito acima da média do mercado, trate com cautela.
Antes de clicar em “comprar” a partir de um post ou anúncio, visite o perfil da loja, veja há quanto tempo existe, leia comentários e procure o site oficial fora da rede social. Perfiles recém‑criados, sem histórico, com muitos comentários negativos ou ocultados indicam que é hora de recuar.
Lembre também que nenhuma loja séria vai pressionar você em mensagens privadas para pagar rapidamente por transferência ou PIX sem qualquer proteção. Quando isso acontece, a probabilidade de golpe é alta.
Boas práticas ao navegar e clicar em links
Além de escolher bem onde comprar, é fundamental ter alguns hábitos de navegação segura para reduzir o risco de cair em armadilhas digitais. Pequenas atitudes fazem toda a diferença.
Uma regra básica é a de desconfiar sempre que uma mensagem pedir que você instale programas, extensões de navegador ou ficheiros desconhecidos para aproveitar uma promoção. Ofertas legítimas são acessíveis diretamente pelo site ou app oficial; ninguém precisa obrigar a instalação de software estranho para mostrar um desconto.
Outro cuidado importante é verificar para onde realmente apontam os links antes de clicar. No computador, basta passar o rato por cima do link e ver o endereço que aparece na parte inferior do navegador. Se a URL não corresponder ao domínio oficial da empresa, não avance.
Em e‑mails suspeitos, além do conteúdo, preste atenção especial ao endereço de quem envia. Empresas legítimas usam domínios próprios, como @nomedamarca.com. Se o remetente tiver um endereço genérico, como serviço.nomemarca@gmail.com, a probabilidade de ser fraude é enorme.
Também é prudente evitar fazer compras ou introduzir dados sensíveis em redes Wi‑Fi públicas e abertas. Nesses ambientes, é mais fácil que terceiros tentem interceptar o tráfego ou criar pontos de acesso falsos com nomes parecidos.
Como avaliar produtos, envios e pós‑venda
Mesmo em grandes marketplaces e plataformas conhecidas, existem vendedores oportunistas que tentam passar produtos falsos ou de qualidade duvidosa. Por isso, não basta confiar no nome do portal; é preciso analisar cada oferta.
Comece lendo com calma a descrição do produto. Desconfie de anúncios muito vagos, com poucas informações técnicas ou textos claramente copiados de outros sites. Quanto mais detalhada e consistente for a descrição, melhor para o comprador.
As avaliações de outros clientes são um recurso valioso. Dê atenção especial às críticas negativas e às opiniões que incluem fotos reais do produto recebido. Se muitos utilizadores relatam que o artigo é falso, diferente das imagens ou chegou em condições péssimas, procure outra opção.
Fique atento também a prazos e custos de envio. Às vezes, um preço base muito baixo é compensado por portes absurdamente caros ou prazos de entrega de um ou dois meses, o que pode ser um mau negócio dependendo da sua necessidade.
Finalmente, verifique sempre se a loja explica com clareza as regras de devolução, garantia e suporte pós‑venda. Falta dessa informação ou políticas muito restritivas podem indicar falta de compromisso com o consumidor.
Métodos de pagamento mais seguros e como usá‑los
Mesmo quem é cuidadoso pode, um dia, ser enganado por uma loja aparentemente confiável. Por isso, escolher bem o meio de pagamento é a “última linha de defesa” para recuperar o dinheiro em caso de fraude.
Métodos com intermediários de confiança, como PayPal, Apple Pay, Google Pay ou carteiras digitais especializadas, reduzem a exposição dos dados do seu cartão e oferecem processos formais de disputa quando algo corre mal com a compra.
Muitos bancos já disponibilizam cartões virtuais ou cartões específicos para compras online, com limites reduzidos e possibilidade de bloqueio rápido. Utilizar esse tipo de cartão em vez do principal ajuda a limitar prejuízos se os dados forem roubados.
Se possível, evite pagar em lojas desconhecidas através de transferência direta, depósito ou PIX sem qualquer espécie de proteção. Esses meios são práticos, mas, uma vez enviado o dinheiro, recuperar o valor torna‑se muito mais difícil.
Independentemente do método escolhido, é fundamental acompanhar diariamente os movimentos da conta e do cartão. Ao notar qualquer lançamento estranho, entre em contacto com o banco imediatamente para bloquear, contestar a transação e ativar eventuais seguros existentes.
Gestão de cartões, contas e monitorização diária
Para fortalecer ainda mais a sua segurança, vale a pena adotar algumas rotinas relacionadas ao uso de cartões e contas bancárias, tratando as compras online como uma área separada da sua vida financeira.
Uma boa prática é reservar um cartão específico para compras na internet, com limite ajustado ao seu consumo mensal. Assim, qualquer utilização indevida fica mais visível e os danos potenciais são menores do que se o golpe afetar a conta principal.
Também é recomendável ativar alertas por SMS ou notificação da app do banco para cada compra realizada. Dessa forma, sempre que houver uma transação estranha, você fica a saber na hora e pode agir rápido.
Transforme em hábito conferir, ao menos uma vez por dia, o extrato da conta e do cartão. Gastos esporádicos, lançamentos com descrição estranha ou cobranças repetidas são sinais de que alguém pode estar a usar os seus dados. Nessas situações, bloqueie o cartão e fale com o banco sem demora.
Quando algo der errado – por exemplo, se pagar e o produto não chegar – contacte logo a instituição emissora do cartão ou o serviço de pagamento usado. Muitas vezes, os emissores possuem seguros e políticas específicas para esse tipo de ocorrência.
Proteção de dados pessoais e cibersegurança básica
A segurança nas compras online não depende só da loja; uma grande parte da responsabilidade está em como cada pessoa protege os próprios dados e dispositivos. Algumas medidas simples já fazem grande diferença.
Em primeiro lugar, é essencial usar palavras‑passe fortes e únicas para cada serviço, especialmente em contas de e‑commerce, e‑mail e bancos. Em vez de decorá‑las, recorra a um gestor de senhas confiável, que gera combinações complexas e guarda tudo de forma encriptada.
Outra camada indispensável é a autenticação de dois fatores (2FA). Sempre que um site de compras, carteira digital ou banco oferecer essa opção, ative‑a. Assim, mesmo que alguém descubra a sua senha, ainda vai precisar de um código adicional enviado para o seu telemóvel ou app de autenticação.
Mantenha também sistemas operativos, navegadores e aplicações sempre atualizados. Muitas atualizações corrigem falhas de segurança que criminosos exploram para roubar dados ou instalar malware.
Por fim, tenha cuidado extra ao partilhar documentos de identificação, como BI, RG, CPF ou passaporte. Quando precisar enviar uma cópia, tape dados que não sejam estritamente necessários para aquele processo específico, evitando que alguém use essa informação em roubos de identidade.
O que fazer se você já caiu num golpe
Mesmo tomando todos os cuidados, ninguém está 100% imune. Se perceber que foi enganado, agir rápido é fundamental para reduzir prejuízos e aumentar as hipóteses de recuperação do dinheiro.
O primeiro passo é bloquear imediatamente o cartão usado na compra ou a conta de pagamento envolvida. Entre em contacto com o banco ou com a plataforma (PayPal, por exemplo) e explique a situação, mencionando que suspeita de fraude.
Em seguida, reúna toda a documentação possível: comprovantes de pagamento, e‑mails trocados, prints do anúncio, URL da loja e qualquer outro detalhe relevante. Esses elementos serão importantes tanto para a análise da instituição financeira quanto para eventuais queixas formais às autoridades.
Se o pagamento foi feito por cartão de crédito, pergunte sobre a possibilidade de contestar a compra (chargeback), principalmente em casos de não entrega ou produto claramente diferente do anunciado. Muitas vezes, os emissores possuem seguros e políticas específicas para esse tipo de ocorrência.
Também é aconselhável verificar se os seus dados pessoais não foram usados para criar contas em outros serviços ou para realizar operações estranhas. Se notar qualquer atividade fora do normal, altere senhas, ative 2FA e, se necessário, informe‑se junto das autoridades competentes sobre como proceder.
No fim das contas, comprar online pode ser tão seguro quanto comprar numa loja física, desde que se combine um pouco de desconfiança saudável com boas práticas de navegação, escolha criteriosa de lojas e uso inteligente dos meios de pagamento; mantendo‑se atento aos sinais típicos de fraude, validando sempre a credibilidade da página, vigiando as contas bancárias e pedindo ajuda quando tiver dúvidas, você reduz drasticamente as hipóteses de cair em golpes e consegue aproveitar o melhor do comércio eletrónico com muito mais tranquilidade.
